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Um Matuto em Sampa (3)

Os pen drives da Rua 25 de março 

E lá ia eu pela 25 de Março, sempre apalpando o bolso da calça pra sentir se a velha carteira (com mais pedaços de papel de que dinheiro) ainda estava lá. De repente, uns caras vieram me oferecer pen drives de 16 gigas por R$ 35,00, depois baixaram pra R$ 30,00. Esses caras estavam na calçada, com os pen drives nas mãos, de modo que os guardas municipais não os incomodavam, pois não utilizavam banquetas. Oxente, que preço barato é esse? Pensei comigo mesmo. Até mesmo na feira do "paraguai" de Caruaru um pen drive desse não sai por menos de cem reais!.

Mas, de repente, minha mente assimilou a mente tecnológica do meu amigo Antônio Ribeiro, matuto de Areia, Paraíba - a chamada "Terra da Cultura"  e do pintor Pedro Americo, autor do quadro "O Grito de Ipiranga", que está no Museu do Ipiranga, aqui, em Sampa -, e também a mente filosófica e desconfiômetra do meu amigo Geraldo Firmino, matuto de Bezerros, "Terra do Papangu" e do xilogravurista e cordelista Jota Borges, e resolvi me afastar daqueles cabas da peste que queriam me passar gato por lebre. Depois fiquei sabendo de alguém que comprou um pen drive daqueles e até hoje o bicho não funciona.
 
Acho que os paulistas, principalmente os paulistanos,  que, por mero acaso, lerem estes troços que estou falando (falando não, relatando) da sua cidade, deverão ficar p da vida. Mas, em São Paulo tem muitas coisas boas. O café da manhã dos hotéis de lá, é uma verdadeira fartura. A gente só sente falta de uma tapioquinha, de um verdadeiro queijo de coalho assado, uma macaxeirazinha... Os cafezes, digo cafés de manhã duma grande parte dos hotéis da nossa terra, Recife e cidades do interior, são realmente muito fracos, um pouco melhor do que os break fast de uma grande parte também dos hotéis dos Estados Unidos. Lá, nos esteites, geralmente servem uma rosquinha, uma bananinha e, para desespero de todo matuto, nenhuma chicrinha de café. É por isso que eles não dizem "coffee of morning" e sim break fast.



Escrito por RAL às 11h40
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Um Matuto em Sampa (01)

 “E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”
(trecho de Sampa, de Caetano Veloso)

 

 

Enquanto Ral está dando uma guaribada arretada no Ralmanaque, pedi a ele um espaço no modelo que ainda está publicado para contar as coisas que estou vendo aqui em São Paulo, onde vir participar de um congresso com matutos paulistas, aqueles que falam assim": "Senhooorrrrr. 

 

É isso aí, não vim como um "pau-de-ara", como muitos outros irmãos nordestinos vinham pra servir de mão-de-obra barata nas obras de construção e outros serviços pesados, nem tampouco vim para passear como outros matutos mais folgados. Aliás, não vim pra capitá. Vim pro interior mermo. Mas, na capitá, que Caetano Veloso chama de Sampa (numa canção bonita da gota serena)  vou passar uns três dias pra resolver uns troços. Cheguei ontem e fui recibo pelo primo Djalma, um cara tão legal, tão bom, que devia ser preso pra ninguém bolir com ele. Matuto de Belo Jardim, ele veio pra cá ainda criança e conheceu a velha Sampa nos tempos dourados, quando se podia andar à noite nas ruas, como se estivesse passeando num shopping. Entrei no seu Honda e fiquei imaginando o meu velho Monza 95 deixado na garagem sem eu ter desligado os cabos da bateria. Pois é, quando voltar pro Recife, a desgraçada vai está descarregada. Ral, mano véi, tu vai ter que ajudar a empurrar o monzão, com essa tua musculatura de Suaxenegue.

 

Bem, e lá vou eu no carrão do primão adentrando na selva de pedra. Aí começou a decepção do matuto. Por onde a gente passava só se via lixo espalhado nas calçadas e debaixo dos viadutos, misturado com mendigos sujos e maltrapilhos (isso é uma redundância?). Quando a gente passava por locais onde tempos atrás o matuto passava sempre com sua matuta, como a Rua Ipiranga, Praça da República, com sua "feira hippie", Largo do Arouche, onde certo tempo morou um irmão meu, o primão alertou:""Não ande por aqui sempre, principalmente à noite, pois só tem gente da pesada, como traficantes, drogados, prostitutas e prostitutos. Grande parte dessa área é conhecida por Cracolândia."Não acredito”, pensei comigo. Quer dizer que aqui tá pior do que o Recife? Lembrei-me que New York, há muito tempo atrás era o que São Paulo é agora: uma cidade altamente violenta. Mas houve uma determinação política do seu prefeito e a maior cidade do mundo transformou-se num verdadeiro paraíso. Dava pra gente andar tarde da noite com filmadora em punho, filmando a beleza da cidade sem nenhum medo. Vejo que em Sampa, se fizermos o mesmo ficaremos sem filmadora, celular, carteira, a roupa e talvez até a vida. Cadê as otoridades e os puliticos da maior cidade da America Latina, que deverá ser  também a que tem o maior orçamento e maior arrecadação de impostos? Já estou com saudades da sujeira e da violëncia do Recife. 

Ruyvão (limaruy@gmail.com)

PS de RAL - Não resisti, Ruyvão, em "tomar emprestado" e publicar acima a charge do genial Angeli (com certeza o cartunista que melhor retrata Sampa).

 



Escrito por RAL às 10h33
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Freio de arrumação de idéias, estilo Belchior

Aviso aos internautas: dei uma de Belchior e "desapareci" do Ralmanaque não atualizando-o desde 19 de agosto. Por falta de tempo e outras desculpas amarelas - mas também cansaço da atual cara do blog. Portanto, vou dar mais um tempo nesse freio de arrumação de idéias e acredito que, até final de outubro, quando o Ralmanaque completa dois anos, o blog voltará com nova roupagem e bem mais dinâmico.
Enquanto isso, ficará essa caricatura do cantor pra lembrar que, assim como ele, a gente não desapareceu de vez.

Até lá. Abração.
Ral



Escrito por RAL às 21h21
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O Leão e o peso da 2ª Divisão

Os torcedores d' A Coisa estão cada vez mais descontentes com a situação do seu time, o lanterninha do Brasileirão 2009. O astral anda tão baixo que  eles próprios começa zonar com o próprio time.  A montagem acima foi feita e enviada pelo mano Rubem, a ovelha negra - digo o rubro-negro da famíla.



Escrito por RAL às 22h12
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Parece Que Foi Hontem (3)

Ilustração (que também é um cartum) para o Caderno de Informática (Diario de Pernambuco/2006).

 

Charge na virada do ano 1979/1980 (Jornal do Commercio), sobre o sempre atual preço alto da gasolina. Naquela época, de inflação galopante, dava pra fazer outra piadinha sobre custo de vida - veja detalhe embaixo.



Escrito por RAL às 11h46
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ET de Varginha - 3ª Mostra de Humor

Cartum enviado para 3ª Mostra de Humor, realizada em Varginha (Minas Gerais), que comemorou este ano os dez anos do aparecimento do ET por aquelas bandas. O tema da mostra: bichos.

 



Escrito por RAL às 09h56
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Cartuns Quixotescos (02)



Escrito por RAL às 13h17
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