Uma Matuto em Sampa (2)

De dia eu rondo a cidade...

 

É, tem que ser de dia, pois de noite não dá não. Ôxe! Tás doido? Vôoote!

Pois é, não há condições de andar à noite em São Paulo, como antigamente. E bote antigamente nisso.

Outra coisa: o tempo lá tá doidão. De manhã faz um frio de lascar. Depois das 10 e até o final da tarde é um calorão de dá dor de barriga na gente.

Fui à famosa rua 25 de Março. Parece a feira da sulanca e do “Paraguai” de Caruaru multiplicada por 1000. Gente pra car...amba!

Andava espremido na calçada quando de repente ouvi um barulho como se fosse o estouro de uma boiada. Um bando de gente correndo na rua, carregando uns sacos e umas banquetas de madeira. Eram os camelôs, com os olhos de terror, como se estivessem fugindo do cão. Dei uma olhada e vi que atrás vinha um batalhão de “guardas municipais”, revólver na cintura e segurando um cassetete do tamanho do negoço de um jumento. A tropa era formada por homens e mulheres, com farda parecida com aquelas usadas pelos militares da série de filmes O Exterminador do Futuro, todos com a cara de poucos amigos e doidos pra pegar um camelô que não teve condições de tirar os seus bagulhos do chão. Tive pena dos camelôs. Principalmente de um que perdeu toda a sua mercadoria (refrigerante e água mineral), quando, ao tentar correr, derrubou a sua carroça no meio da rua.

Foram garrafas pra todos os lados e os aproveitadores apanhando-as e levando consigo, sem nenhuma ação impeditiva dos guardas, uma vez que o alvo era o desgraçado do camelô. Concordo que não está correto a venda de mercadorias contrabandeadas, sem nota fiscal, etc. e tal. Mas, pelo que todo mundo sabe, as lojas, principalmente aquelas da Galeria Pagé e outras galerias e barracas que estão instaladas na rua, raramente dão notas fiscais e a origem das suas mercadorias... Bem, é melhor deixar pra lá.

Observei que essa situação ocorria em torno de 20 a 20 minutos, numa verdadeira perseguição do gato contra o rato. Acho que todos aqueles camelôs sofrem de uma depressão que não tem tamanho.

O que mais decepcionou o matuto,  foi o fato de aqueles guardas pressionarem os coitados dos ambulantes, ao invés de agirem contra os batedores de carteiras e outros marginais que circulam o tempo todo naquele local.

Ruyvão (ruyvao@gmail.com)