Falando matutês (06)
E o vaqueiro Severiano continua contando as peripécias do colega Chico Doido ao seu compadre Henrique, morador da cidade.
- Chico é um caba de corage, mai num é besta. Deu um pinote em riba da janela da budega e sartou bem em riba da sela do seu carralo qui tarra só incostado num tronco de árvi.
- Eita! Igualzinho a cobói de cinema!
- Isso mermo, cumpade Anrique. Iguazim…
- Ô cumpadre, sabe porque o cobói faz aquela cara feia quando desce do cavalo, depois que salta em cima dele de um lugar alto? – Perguntou Henrique, com cinismo.
- Seio não. Acho qui é pra fazer medo aos bandidos…
- Que nada, cumpadre. É por causa da dor que sente nos ovos amassados. KKKKkk!
- Esse meu cumpade é mermo um surreito sem-vergonho! … E pra incurtar a histora – continuou Severiano - Chico isporiou o carralo e arribou dali, deixando os cabas com a molesta dos cachorro. Depois disso ninguém viu mai o Chico. Parece qui tá pros lados das Alagoas.
(na prochima telça, final da história. Ufa!)
Ruyvão (limaruy@gmail.com)_____________________________________________
“Tradução”
- árvi – árvore; cobói (caubói) – cowboy; ovos- testículos; surreito sem-vergonho – sujeito sem-vergonha;