E continua a prosa o matuto morador da cidade e o matuto da zona rural, um velho vaqueiro, seu amigo, num dia de feira em Arcoverde.
Severiano prossegue com a história das peripécias do amigo Chico Doido, também vaqueiro.
- O disgraçado do Chico paricia qui tarra cum a molesta de cachorro doido… regalou os zói e gritou:”Podi vim magote de frôxos! Vão levar uma pisa qui só quenga de cabaré leva de cafetão.”
- Puta merda! Foi ai qui começou o buruçu… - Falou o Henrique.
- E intonce. O magrelão, com aquelas pernonas, deu uns dois pinotes pra riba do Chico, com um cipó de boi na mão. O danado do vaqueiro pegou um tamborete largou na cara do magrelão e acertou bem na ventona do miserave. Arm’Maria! Ispirrou saingue pru todo os lado! O magrelão não pudia nem gritar, ficou sem fôrgo e disabô pra rua.
- O bigodudo atarracado, gritando uns troços qui ninguém intendia, com aquele bocão, mai paricia uma zuada de besouro… rooooom-rooom-rooom… Quiá!Quiá!Quiá! – Continou Severiano, com sarcasmo.
- E ele tava armado, Severiano?
- Tarra não, mai ele pegou uma garrafa de cerreja cheinha e avançou pra riba do Chico… Mai Chico deu um gorpe tão certeiro de capoeira no disgraçado, qui ele caiu sentado em riba dos cacos de vrido. Acho que entrou vrido até nas partes dele, qui ficou ali gemendo qui só um bode capado.
- Higi! De repente subiu uns arripios dos pés até as minhas virias.- Falou o Henrique, com uma cara de dor, como se estivesse sentindo o mesmo que o bigodudo.
- Tive pena da cerrejinha derramada. Qui dispirdiço! Lastimou Severiano.
- É verdade… E o parrudão, compadre?
(continua na prochima têlça)