ET de Varginha - 3ª Mostra de Humor
Cartum enviado para 3ª Mostra de Humor, realizada em Varginha (Minas Gerais), que comemorou este ano os dez anos do aparecimento do ET por aquelas bandas. O tema da mostra: bichos. 
Categoria: Cartuns/Caricaturas/Charges/Ilus
Escrito por RAL às 09h56
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Coisas de Matuto
Falando matutês (02)
Enviei pro mestre Ral um monte de palavras e termos falados pelos matutos do interior de Pernambuco, e respectivos significados, tipo um “dicionário matutês” e ele sugeriu: “Por que tu não dá um recheio nesse negócio?” Dei uma reolhada na minha obra (trabalho, viu?) e matutei (refleti). “Não é que o caba tem razão! Desse jeito, tipo dicionário, as palavras são inexpressivas, frias, sem sonoridade. Intonce, arresovi iscrever umas historinhas com personagens do meu sertão pernambucano, usando o seu linguajar tão caracterísitco. (As histórias e personagens são fictícias, a semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência). Para melhor fazer entender a pronúncia, os diálogos são escritos numa total desobediência à gramática, à velha e, principalmente, à nova ortografia. Por exemplo: costa ôca ao invés de costas ocas. Continuando a nossa historia inciada terça passada, onde o matuto soçaite (morador da cidade) chamado Henrique, num dia de feira em Arcoverde, conversa com Severiano, um velho vaqueiro, seu amigo. - Apois é, “seu” Anrique. Acho qui vou fazê o qui o sinhô dixe, imbora não goste dessa tá de bibida… Mai, cuma já tumei chá de quais toda as pranta e uns cachetes qui comprei na farmácia de “seu” Florismundo e essa mardita dor-de-viado continua feito a bobônica, o reito é seguir seu conseio. - Ô Severiano por onde anda o Chico Doido? Severiano, tirou o chapéu de couro da cabeça, coçou o côco e respondeu: - Ninguém sabe onde anda aquele infeliz das costa ôca! Deve tá lá na baixa-da-égua. Sacumé, o disgraçado daquele sarará é um dos mió derrubador de boi desta região, mai quando tá biritado gosta de encrencar com todo mundo. - Conheço o caba. É isso mesmo. Parece até que tem pauta com o cão. - Iapôis! Dige qui ele tava tomando umas cachaça numa venda lá em Buique e ficou invocado com uns caba. Tinha um baxim qui ele chamou de tamborete de zona, intonce esse baxim ficou mai vremelho do qui um pimentão, puxou uma pexêra de mais de doze pulegada e avançou pra riba do Chico qui nem um tôro brabo. (Continua na prochima telça, derna qui tenha mais de cinco comentários no ralmanaque, contra ou favor desta “obra” e, se possivel, com sugestões. Se não tiver, a “obra” será enterrada. Pronto!) “Tradução” cuma – como; cachetes – comprimidos; reito – jeito (os matutões pronunciam o v e o j como r. “Num a reito qui dê reito neste carralo réi”); conseio – conselho; côco – cabeça; baixa-da-égua – lugar distante; sacumé – sabe como é; sarará – pessoa de feições negras e cabelo amarelo ou vermelho; biritado – bêbado; caba (cabra) – homem; pauta com o cão – pacto com o diabo; Iapôis - concordância, é mesmo; Dige qui – Dizem que; venda - mercearia, bodega, que serve também como um bar; Invocado – chateado, com raiva; baxim – baixinho (Todas as palavras terminadas em inho o matuto troca o inho por im. Engraçado é que no ano passado, quando passava por Arcoverde, li numa tabuleta de um restaurante na beira da estrada: Pudinho – R$ 1,50. Acho que o dono do lugar não quis cometer esse grave erro de escrever pudim com im.; vremelho – vermelho; pexêra – peixeira, faca comprida. Nos dicionários tem: faca para cortar peixe. Em Pernambuco é faca para cortar tudo mesmo, até gente; riba – cima (Em riba, em cima).
Escrito por RAL às 16h58
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