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Categoria: Caderneta de Cartunações
Escrito por RAL às 18h52
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Coisas de Matuto

Falando matutês

Existem dois tipos de matutos do Interior de Pernambuco: os da rua (que mora na cidade)
e os do mato (que mora na zona rural). Todos tem um linguajar caracterísitico, com pequenas diferenças, principalmente os da zona rural que têm uma forma de falar mais arrastada, mais mansa.

Imaginemos que estamos lá pelos anos de 1960, num dia de feira em Arcoverde,  onde um senhor, de nome Henrique, morador da rua,  aproxima-se de uma feirante, chamada Isidora, a qual saira de madrugada do sitiozinho onde mora para vender comida caseira feita por ela, no seu fogão de lenha e outras coisas mais.

- Bom dia, dona Maria, essa fuba é boa mesmo?

- Bom dia, seu Zé, essa fuba é mermo da boa, pra mode ninguém botar defeito. Se o sinhô quiser, pode exprementar um pouquinho premeiro. Uma caneca custa somente dois cruzeiros.

- Xô dá uma experimentada… Huumm! É arretada de boa! Vou levar uma caneca. Isso é uma beleza pra depois do almoço!

- Derna de cedo que estou aqui e o sinhô é meu primeiro freguês. Cuma é mermo o seu nome?

- Henrique. Qual é o nome da senhora?

- Zidora. O sinhô não vai querer um lambuzinho assado não, “seu” Anrique? Foi meu véi, o Bastião, que caçou os bichos ontem de tarde. Tenho tombém beiju e pandeló.

- Por hoje não, dona Isidora. Agora, com sua licença, vou falar com aquele caba que tá segurando as rédeas do cavalo. É um velho amigo meu.

Henrique se dirige ao local onde está Severiano, um velho vaqueiro conhecido seu de longas datas.

- Oxente, Severiano! O que tu tás fazendo por aqui com esse galopeiro?

- Oxe, meu cumpade Anrique! Este carralo réi já foi um bom galopeiro mermo, mais assucede qui o miserave não dá mais prus meus selviços, purisso truxe ele pra vender aqui na feira de Aicoverde.

- E a tua família, compadre, como tá indo?

- A famia tão tudo bem, cumpade. A muié e os minino tão com saúde, graças a Deus. Eu é que hoje meio azuretado com uma dor-de-veado da gota serena!

- Isso deve ser gases, compadre. Toma uma coca-cola, dá dois arrotos e três peidos que tu vai ficar  bom na hora!´

                                                                      (continua na próchima têlça)

Ruyvão
limaruy@gmail.com

___________________________________________________

“Tradução”: 

 dona Maria e seu Zé - No Interior é comum as pessoas que não se conhecem se cumprimentarem dessa forma;

fuba (não é fubá)espécie de farinha de milho torrado; mermo – mesmo; pra mode – para; exprementar – experimentar, provar; premeiro – primeiro; xô dá - deixa eu dá; arretada - muito boa, excelente. Dependendo da situação, pode significar também irritada(o) com raiva de algo ou de alguém; derna – desde; cuma é mermo – como é mesmo; lambuzinho(nambu,ihambu) – ave de cauda e pernas curtas muito comum no sertão; véi – velho; tombém – também; beiju – bolo de massa de mandioca; pandeló (pão-de-ló) – bolo sem gordura, leve e fofo; caba (ou cabra) homem; oxente (ôxente) e oxe (ôxe) – Oh, gente!( interjeição de espanto); galopeiro – animal bom de galope; carralo réi – cavalo velho; assucede – acontece; selviços – serviços; purisso truxe – por isso trouxe; pra vender – para ser vendido; Aicoverde – Arcoverde; azuretado – azoretado, atordoado; dor-de-veado – dor no baço; gota serena – irritante.



Escrito por RAL às 11h34
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Cartuns Quixotescos (02)



Categoria: Cartuns/Caricaturas/Charges/Ilus
Escrito por RAL às 13h17
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